Porque de repente começaram todos a organizar a casa?

Com base num artigo de Isabel Calkins, produzi este artigo que pretende informar sobre alguns pontos de vista de profissionais da saúde mental e organizadores profissionais.

Começa a autora por mencionar que “quando saímos do escritório numa tarde de março, ninguém sabia o que estava para acontecer no mundo. A primeira semana de quarentena passou-se em constantes notícias de última hora e em apenas alguns dias, o nosso mundo de repente reduziu-se a quatro paredes”.

Procurámos, muitas vezes em solidariedade online, novos métodos de lidar com o stress, o medo e a ansiedade da emergente crise global.

À medida que cada distração surgia, rapidamente era substituída por um novo método de sobrevivência a esta situação. Mas existe um mecanismo de coping (termo usado em psicologia para se referir a ferramentas para “lidar com”) que não parece desaparecer tão cedo: a organização residencial.

Sharon Lowenheim, uma blogger americana sobre organização, considera que porque as pessoas têm mais tempo livre, são capazes de realizar alguns projetos que andavam a adiar. “Também passam mais tempo em casa, então têm maior percepção da desorganização e são mais incomodados por isso”.

Por outro lado, Amy Tokos, fundadora da Freshly Organized, considera que este crescente interesse na organização da casa se relaciona com o facto de “Quando existe organização, há menos caos, o que pode trazer uma sensação de calma e controlo. É uma daquelas coisas que podemos influenciar e controlar, apesar do que está a acontecer noutras áreas das nossas vidas ou comunidades”.

Através da transformação de salas de jantar em locais de trabalho e da criação de espaços para exercício físico improvisados, agora as casas não são mais apenas lugares para relaxar e descontrair após um dia intenso de trabalho. São centros comunitários, espaços seguros, ginásios, estúdios de arte e escritórios. E para ajudar a facilitar todas estas mudanças, cada vez mais pessoas recorrem a especialistas em organização residencial.

Deve ter notado que amigos e familiares que há um ano atrás nunca tinham ouvido falar em categorizar os livros por cor, de repente largaram tudo para comprar frascos para a despensa e separadores de gavetas, muito devido à popularidade crescente de programas de TV como o da Marie Kondo.

E porque, de repente, todos estão interessados ​​em transformar os seus roupeiros, secretárias e despensas em obras de arte? A resposta é simples e envolve mais do que apenas preencher uma tarde de quarentena a arrumar a despensa. Há uma conexão profunda entre os espaços e a saúde mental, o que está a motivar o crescimento da organização residencial.

De acordo com Lucy Vo, psicóloga clínica, a origem do uso da organização residencial como um mecanismo de coping sempre teve mais a ver com o que está a acontecer fora das nossas casas do que dentro de casa. Lucy Vo não se surpreende que o caos e a desordem no mundo exterior estejam a afetar a saúde física e mental das pessoas, bem como os relacionamentos em casa. Para evitar ser vítimas das circunstâncias, as pessoas estão a voltar-se para a organização doméstica devido ao “desejo de limpar e controlar tudo o que está ao nosso alcance”, afirma.

Também Yael Shy, Coach de Mindfulness, considera que organizar a casa e os espaços usados todos os dias permite que se sinta controlo durante um período de incerteza. As pessoas são tão facilmente influenciadas pelo ambiente, disse Shy, que é “uma ótima prática de bem-estar remover dos ambientes itens que causam tristeza e stress”.

Quando vemos um amigo partilhar nas redes sociais um antes e um depois do seu novo guarda-roupa organizado, ele não está apenas a abrir espaço para as roupas que veste, mas a preparar-se para o sucesso todas as vezes que abrir o roupeiro.

Se a primeira coisa que faz de manhã é ir à sua despensa buscar cereais mas está tudo uma bagunça e não consegue encontrar o que quer, esse ambiente instável é automaticamente replicado na sua cabeça. Pode ficar stressado, oprimido e ansioso. Por outro lado, se abrir a despensa e encontrar tudo em ordem, e sabe exatamente onde está o que precisa, vai sentir que as coisas não são tão más quanto parecem. E se abrir a despensa e encontrar os mantimentos classificados em frascos empilhados ordenadamente, isso pode atingir os centros de prazer fornecendo a dopamina que tanto desejamos para nos sentirmos bem.

Quer seja ao fazer a cama todas as manhãs ou a arrumar a gaveta da tralha, quando investe um tempo para criar um ambiente estruturado e organizado, pode descobrir que isso resulta num melhor sono, menos stress, melhores relacionamentos e aumento da produtividade!